DISCOGRAFIA

15. A SÓS COM A NOITE

(Letra e Música de Jorge Fernando)

 

Alongando-me a sombra sozinha
A saudade a bater
Uma dor que ao doer é só minha

 

Um desvio inquieto
Um olhar indiscreto na esquina
Um rapaz de blusão
Arrastando pela mão a menina

 

Passa um velho a pedir
Incapaz de sorrir
Pelos passeios
Um travesti que quer
Assumir-se mulher
Sem receios

 

O alarme de um carro
Um cigarro apagado indulgente
Um cheiro inusitado
O semáforo fechado p’ra gente

 

Sobe o fado de tom
E o fadista que é bom, improvisa
Estão em saldo os sapatos
Desce o preço dos fatos
De cor lisa

 

Um eléctrico cheio
Uma voz de premeio, vai chover
Bate forte a saudade
Como é grande a vontade de te ver

 

A luz que se arredonda
Alongando-me a sombra sozinha
A saudade a bater
Uma dor que ao doer
É só minha


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