DISCOGRAFIA

04. DESPIU A SAUDADE

(Letra de Paulo Abreu de Lima e Música de António Zambujo)


Despiu a saudade depois do jantar
Num prato já frio de tanto esperar
Aquele que bebe nos tascos da vida
Rodadas de amantes de tara perdida
E chega tão cheio de nada p’ra dar


Sacudiu o pó desse amor primeiro
Num canto guardado do seu coração
Aquele retrato parado no tempo
Que morde por fora e magoa por dentro
Num corpo vazio de tanta ilusão


Mas de repente como um Sol depois da chuva
Surgiu a noite transformada em alvorada
Vai p’ró espelho, faz-se bonita
Lábios vermelhos, corpo de chita
Vestido na pressa de quem sai já atrasada


Brilho nos olhos, ar de menina
Livre e rainha, de tresloucada
Saltou p’rá lua na minha rua na madrugada


Trago o coração à flor da boca
E a sina escrita na palma da mão
Foram tantos anos sem imaginar
O dia sonhado da noite mais louca
Nas ruas da vida com ela a dançar


Despiu a saudade, sacudiu o pó


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